O Blog Além dos Olhos foi criado dia 18 de Março de 2012. Seu principal objetivo é descrever situações do cotidiano que algumas vezes passam despercebidas à olhares superficiais, tanto para quem escreve, como para quem lê. Ao entrar aqui, dará vazão à busca pelo entendimento sem se preocupar se irá encontrá-lo ou não. Cada linha rege a harmonia da dança dos nosso dias.
E que não se prenda em seus conceitos para que seja meu leitor, pois aqui não há uma verdade absoluta, encontre o seu sentido parafraseando significados que nascem no seu interior. Reflita, questione, refute, pense além!
Boa Leitura.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Tudo pede o fim



Tudo sempre pede o fim
E nos sorrisos a dor se esconde
Tarda mas chega
E permanece

O era predomina
Rasga memórias
Suja o peito de saudade
Seca a garganta

Desce as pálpebras
Os sons da vida se calam
Num sono profundo, silencioso e eterno
Cessa a dor daquele que parte

Eterniza a angustia de quem perde
E a alma arde
E ficamos assim, eu aqui sentado
Com sua ausência presencial em minha memoria

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ventos do leste



Ambições, vivem a atiçar minha essência
Repousam meus olhos diante de tamanho esplendor
Novos ventos vindos do leste
Trazem consigo o aroma dos deuses

Tocam minha face com seus doces lábios
Levam minha mente ao delírio
Dominam meu consciente
Seu olhar, me possui

Lá se encontra a razão para o improvável
No ébrio olhar que me vêm fruto de tua face
Carregam a intensidade em sua notória calmaria
Sua imagem, soa  provocantemente solitária

Desperta o desejo, seu olhar abraça minha alma
Ao aparentar-se inalcançável leva-me aos mais belos sonhos
Onde o tempo repousaria no gosto  de seus lábios
Onde a vida é um belo concerto regido por sua existência

Mar de fogo



O vento, traz o doce perfume latente no ar
Torna a existência onipresente
 A lua, reflete a alma à caminhar pela noite
A chuva, purifica o pecado e faz pura a carne

Num sopro aveludado chocam-se os galhos
No tocar se sente a textura do musgo da faia
No silêncio, desejos contemplam a alma
O criador repousa em silêncio

O fim dos tempos se aproxima
A ausência da fé se torna constante
O sol derrama suas lágrimas sobre o mar
Velejarei sobre a lava, sem nunca saber para onde ir

Serei uma criança com olhos sonhadores
Contemplando a fúria  que vem dos montes
Sussurrarei para as estrelas
Palavras caladas em meu interior

Me despeço de meu deus, já com o corpo em chamas
Me despeço da vida, já com a alma aos céus
Minhas lágrimas já não mais escorrem
Pois vejo à minha frente tua suntuosa face


terça-feira, 20 de março de 2012

Olhai-vos




Olhai-vos de todos os ângulos, a vida que se dissipa
Em prol da doença da alma
Sucumbi a essência humana
Olhai-vos do mais alto monte, a sebe que cerca a existência


Inclina tua cabeça e veja-os a teus pés
Na noite gélida, olhai-vos até o fim
Olhai dentre a multidão, o manto materno aquecer sua cria
A lágrima doce, daquele que cai sobre a terra

Olhai-vos cair um a um
Olhai a chama do abandono arder em seus corpos
Olhai sobre a fossa de tua glória
O mérito se vai entre o sangue que escorre

Olhai-vos a cada instante
Olhai o céu avermelhado, sorrir como os lábios rubros da mais bela dama
Enxuga tua própria lágrima, derivada do arrependimento
E cai sobre a terra

Banhado no sangue do teu povo
Por uma vez; cala-te e espera
Vê teu Império ceder sobre tua cabeça
E suplica, por tudo aquilo que não foi capaz de oferecer

Sente a lança rasgar teu peito
Olhai-vos agora com tua face ao chão
Estende a tua mão ao fim, e vai
Na trilha de um corpo sem vida, se faz sua última marca

A vida



A vida, quão passageira é esta estadia
O tempo desmascara a utopia do pensamento
Passa e se vai com o vento
Lembranças se escondem no castigo da memória

Corpo e alma contemplam a existência
Um minúsculo instante em meio ao infinito tempo da eternidade
A saudade comanda a lembrança do tempo que já se foi
O pranto emana do medo do destino que há por vir

Confrontam-se forças humanas com a energia da alma
As ardentes chamas que queimam, hão de ser o suave calor que aquece
O anjo de concreto paira sobre teu corpo
Lágrimas cairão sobre o corpo na vala
Na terra, então, se cala o tumor

No coração, grita a saudade
Na ventania, o cheiro da morte
Na memória, um passado ainda latente
No viver do cotidiano, se vai a esperança do eterno

segunda-feira, 19 de março de 2012

O verdadeiro sentido



Onde começa a estupidez da alma?
No desfrute do espaço que não lhe pertence
Na demência da razão consumida pelo poder
Na desvalorização do amor distribuído à todos

Onde se esconde a verdadeira essência do homem mortal?
No corte profundo das espada que grava o nome na história
Na busca incomensurável pelo reconhecimento
Do desvio de princípios em prol monetário

Onde moram suas inúmeras angústias?
Na noite, em que a solidão vem e o abraça
No medo, que sega suas perspectivas
No tempo, que castiga e enfraquece sua carne

De onde emana o verdadeiro sentido da vida?
Na lembrança do tempo em que o hoje era distante
Na lágrima que nasce, filha da saudade
No instante de silêncio ao caminhar do cortejo

Jardim das ilusões


 No jardim das ilusões, aromas se misturam
Trazem à mente, pensamentos pecaminosos
O paraíso é assombrado pelo desejo
A pureza dá lugar ao prazer

A luxúria demonstra toda sua criatividade
Envolve o corpo num abraço mortal
A vida escorre junto ás lágrimas
A existência se encontra em seu último ato

Deixe-me mentir
Dizer que a vida foi repleta de sorrisos
Que a rejeição esteve distante do meu ser
Que paixões vividas não profanaram a alma

Deixe-me acreditar que existe a eternidade
Que em minha passagem, formou-se um concerto harmonioso e belo
Deixe-me pensar que obtive êxito em tornar-me um deus
Não permita que o tempo se despeça de mim

Partirei ao paraíso
Onde em seus doces braços repousa a morte
Onde navegarei pelos mares de veludo negro
Aqui repousarei na noite sem fim



domingo, 18 de março de 2012

Noite dos mil desejos



 Escolher entre a ternura do amor e o desejo da carne
Tarefa árdua para a alma
A essência de uma vida que um dia eu sonhei
Padece em meio minhas inúmeras tentações

O desejo toca meus lábios delicadamente
Sua mente insana conduz meu corpo ao delírio
Seu rubro sangue mortal
Rega a satisfação

Os ecos de minhas indecisões percorrem minha mente
Tens minha existência em tuas mãos
Mil desejos me corroem
Um amor me sustenta

Basta um passo adiante, para que eu possa encontrar a paz
No alto do penhasco rochoso, o vento toca minha face
O mundo lá embaixo, parece limitado à ignorância humana
O céu parece tão próximo

O paraíso soa inatingível
A mente confusa não mais difere, razão, emoção, ilusão...
Resta apenas o desejo
Mais um dentre tantos a sucumbir dentro do meu ser

Mais um corte profundo em minha pele alva
Mais um sopro tentador a esmorecer meu corpo
Devo me refugiar em meus insólitos propósitos
Minha existência retomará o rumo, da vida que um dia eu sonhei

Sob o céu de seda



Pilares são criados longo da existência
Sustentam objetivos, derrubam utopias
Cansado de morrer todos os dias
Removo a barreira que cerca o mistério

Ergo meus punhos ao céu
Canções proibidas escorrem por minhas veias
Desdenho teu perdão
Abraço-me ao pecado que me assola

Não vou me ajoelhar a seu livro ditador
De guerras e desgraças, julgamentos e mentiras
Do peito um grito se rasga aflito
A fumaça sai de meu olhar

Não plantarei cinzas que não florescerão em meu jardim
Não me juntarei aos olhares famintos e sem vida que beijam teus pés
Entendo que fui cego voando rumo a luz
Me deixa sonhar em paz, pois já não penso em acordar

Silêncio



No silêncio é que se sente a preciosidade da alma
Quando todos os fatos vem a tona
E algo se depara com o terror
O Sol se deita ao fim de cada aurora

A noite chega em tom de calmaria
Em silêncio, o corpo desperta o som da alma
Beijos que profanaram
Passageiros como a luz do dia

Lábios vagos em meio à escuridão
Acolhem o calor que merge da carne
No quebrar de uma taça
O vinho mistura-se ao sangue

A vida é jogada ao vento
Como pútridas pétalas de rosas
Sob a ternura de um céu de seda
O corpo se encosta no musgo da faia

A alma descobre a verdade
Posta de cabeça para baixo quando a vida perecia
A venda da mentira é retirada de pálpebras descidas
A existência estende suas mãos ao entendimento
Num último suspiro ao fim da luz do dia