O Blog Além dos Olhos foi criado dia 18 de Março de 2012. Seu principal objetivo é descrever situações do cotidiano que algumas vezes passam despercebidas à olhares superficiais, tanto para quem escreve, como para quem lê. Ao entrar aqui, dará vazão à busca pelo entendimento sem se preocupar se irá encontrá-lo ou não. Cada linha rege a harmonia da dança dos nosso dias.
E que não se prenda em seus conceitos para que seja meu leitor, pois aqui não há uma verdade absoluta, encontre o seu sentido parafraseando significados que nascem no seu interior. Reflita, questione, refute, pense além!
Boa Leitura.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Educação para quem?


O desejo é o desejo do outro e a educação é um caminho de sublimação das pulsões sexuais, onde estas são direcionadas para um alvo não-sexual, afim de camuflar a neurose  através de objetos socialmente valorizados.
Logo, o transcorrer dessa dinâmica diz respeito ao cotidiano das crianças e as relações que são estabelecidas com os adultos que as cercam. Mais que isso, diz respeito aos sonhos, medos, esperanças e expectativas relativos ao mundo do amanhã.
A realização do desejo recalcado pelo adulto é transferida para o sonho que ele mesmo semeia na criança. Daí, podem derivar as frustrações causadas pela exigência do laço social.  A criança é alienada dos próprios temores, e dessa forma se torna presa fácil para as peripécias do adulto, que utiliza da escola, como um objeto de terceirização dos bons costumes. No mesmo momento em que esta função é atribuída à escola, torna-se impossível para este mesmo adulto, sustentar o fato de que é evidente a impotência, insuficiência e inoperância da função de sua função no âmbito familiar.
Assim, podemos começar a compreender o mecanismo que conduz a busca pelo conhecimento, que se olhado de uma maneira mais incisiva, se mostra como o fruto de um fracasso constante e gradativo, que tenta emergir como pulsão satisfeita no desejo do outro para com o outro.

sábado, 10 de agosto de 2013

Nos vestígios do estágio do espelho


O desejo é o desejo do outro, e não há dúvida de que inicialmente, a pulsão banhada pelo amor, gera um apetite voraz, movido pelo fantasma que atiça a busca do prazer.
Uma vez que o fantasma é idealizado à própria imagem do ser desejante, novamente se faz claro que o homem segue guiado com os olhos tapados pelas palmas de Narciso. Porém, há de se  ressaltar que a fantasia, por mais envolvente e sedutora que seja, carece da textura que só pode ser sentida na realidade. Na ausência dos próprios olhos assim como Édipo, o homem só percebe o que é capaz de tocar e dessa forma, é alienado pelo outro, numa realidade que está apenas dentro de si mesmo. E um dos frutos dessa dinâmica é a frustração, válvula profana que impulsiona a neurose, transferindo para  objeto de desejo, a raiva que o indivíduo sente de si mesmo por não ter sido desejado pelo outro.
Ao desnutrir-se, a pulsão de vida transforma-se em pulsão de morte, numa ferida incurável, que projeta no outro, uma paixão reflexa e turva, mãe do prazer e filha da dor.

sábado, 3 de agosto de 2013

A Religião nos limites da pulsão




O desejo é o desejo do outro, e desde muito cedo essa máxima governa a existência humana. Assumir o processo da castração e dar conta dos resultados que provém deste fenômeno é uma tarefa de extrema exigência e complexidade para o homem, que utiliza de diversos mecanismos para negar essa dinâmica sádica e eterna. Coloco a religião como um processo inconsciente de conformidade e narcisismo, onde o homem é chamado à relação com Deus, numa atitude de abandono que supõe a aceitação de seu limite. Quando Jesus é pregado na cruz forma-se uma relação diretamente proporcional com o bebê que perde a majestade através da dissolução do desejo materno. Pai, por que me abandonaste? Estes movimentos, dão ação à abertura do amor divino, que transforma a morte em vida, quando o homem é conduzido à satisfação de desejos por meio das pulsões, da mesma maneira que a paixão de Cristo salva a humanidade num ideal de plenitude amorosa em que se faz evidente a presença do narcisismo, ao passo que este ser onipresente deseja todo e qualquer indivíduo com o mesmo fervor e intensidade, fazendo com que a falsa sensação de plenitude, disfarce a falta que se manifestará em diversos outros momentos.Da mesma maneira que as desventuras correntes da vida humana são negadas no manto do plano de Deus. Assim, a religião acaba por ser uma maneira pela qual o homem procura mediar suas angústias.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

De você e de mim


Basta um toque para que meu corpo fique enlouquecido
Um cheiro para que se inflame minha volúpia
E neste momento desperta-se a mais intensa pulsão
Que é muito mais que prazer

Que me laça, me envolve e anoitece a minha dor
Em tom de calmaria as almas se unem por quase um instante
Quando meus lábios deslizam pelo céu da tua carne
Aos poucos a tormenta se desfaz

E desfruto do doce sabor
Destes sonhos agora passíveis de toda caricia
Desta entrega complacente, terna
Maviosamente intensa

E estes beijos, nem sei onde me levam
E minhas vestes deixo que se rasguem
Nos teus braços que me acolhem por completo
Percorro o caminho que pra sempre será

Muito mais que cumplicidade extrema
O que o tempo não conta
Fiel morada do meu desejo

sábado, 20 de julho de 2013

Pretensão à Psicanálise


O desejo é o desejo do outro e a psicanálise rompe com o habitual, se aventurando em suas tentativas de desvelar o que é reprimido pelo ser desejante. Pois todos somos sujeitos da falta e negamos boa parte dessa ausência que se faz tão presente. Ninguém escapa da condição sedutora dos cuidados maternos, do ser que alimenta, aconchega e dá prazer à seu objeto de plenitude sexual. E no movimento gradativo da castração a majestade perde o trono, dissolvendo-se o desejo e potencializando a rivalidade, a percepção se alterna, os conflitos se fazem presentes e as pulsões tomam novos sentidos. Guiando o inconsciente, Narciso caminha na busca de novos objetos que satisfaçam o desejo deste saber não sabido, que por sua vez, advém do objeto inicial, onde havia a plenitude.

Inúmeras direções à perverter uma existência não tão própria quanto se pensava, e assim, pode-se transpor a barreira imposta pela censura. O desejo toma contato com o fantasma, alvo de sua pulsão, nas lacunas da palavra, que permitem sentido ao absurdo. Na transcrição deste discurso rico, a sobredeterminação empilha as peças que constroem a figura da neurose, que aparece de uma maneira deformada, assim como Narciso aparece no reflexo das águas. E nos apaixonamos pelo ser que representa nós mesmos, que é igual ao ser para quem somos objeto de paixão, somos Eros e somos Tanatos, somos feridas com cicatrizes sempre abertas, e mais que desejo, somos a falta daquilo que nunca tivemos, e talvez nunca tenhamos por completo.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A gente muda o mundo na mudança da mente


Quem planta injustiça, colhe revolução! E Marx estava certo, quando dizia que a revolução é a locomotiva da história, e que linda é essa locomotiva que se espalha pelo Brasil, avante, por passos pacíficos, o povo meteu o pé na porta, deu a cara à tapa, à bala, à bomba e sem levantar bandeira, porque neste momento a bandeira é o próprio povo e a causa, em sua singularidade, é plural! Brecht pulou em meio à multidão, pois naquele momento não havia sequer um analfabeto político. Não mais sorrisos podres e tapinha nas costas!
E pela primeira vez, pude ver que o orgulho em ser brasileiro não estava nem na bola, e nem na bunda, o pão estava amargo e não havia circo, porque os palhaços estavam morrendo de medo enquanto a multidão contagiante, mostrava ao mundo quem são os verdadeiros protagonistas desta história.
Corrupção já virou clichê, mas “o povo acordou” e veio junto, a hora de por um fim a este atentado vivo à humanidade. E com uma população não mais latente, surge o movimento, a co responsabilidade, a fuga da comodidade alienante que tanto cuspiu na nossa cara, a mudança tão necessária para a efetividade do bem comum.

Contra a massa selvagem, a repressão reprime, contra a massa pacífica, a repressão se esquiva. E é só o começo...

domingo, 16 de junho de 2013

Dos belos propósitos




Talvez eu esteja enjaulado por direções que me fogem
Inerte, os olhos de um corpo contrário miram o branco dos horizontes
E entre uma música e outra, entre uma arte e outra, falsamente se adoça a alma
Açoitada pela própria conformidade

E nessa dança fria que se nega a cada instante
As emoções são incapazes de denunciar
O que transcorre nesse corpo que é mais que melancolia
E derrama no desejo que é mais que alusivo

Em ansiedade se desloca o deleite
Resiste, se defende, se alucina e se cobre de saudade
E se sustenta por um amor, que mais que conforta
É mais que carícia e divina pureza

É estado de realização onde se rasga toda a angústia
Necessidade explícita e mais que vital
Espelho regado de plenitude e paixão
É delírio, presente, sincero e total


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Se eu tivesse mais um dia


Se eu tivesse mais um dia tudo seria diferente
Te abraçaria com todas as minhas forças até doer os ombros
Não deixaria escorrer pelo ralo aqueles momentos onde podia sentir-te
Andaria com você pela rua , sem rumo sem medo e sem pressa

Contemplaria o teu sorriso observando com o canto dos olhos
Não teria tantas preocupações, não me corroeria em busca de objetivos
Se eu tivesse mais um dia juro que não passaria longe de você
Te olharia em todos os instantes que me restassem

Confessaria de todas as vezes em que um nó na garganta me impedia de dizer que te amo
Te tocaria sem pudor, te beijaria sem motivo, te amaria com toda intensidade que posso
Estaria  embaixo do céu, colado no teu rosto, e tudo ficaria bem
Choraria nos teus braços e não saberia mais o que era lágrima e o que era chuva

Tudo, seria um só
Eu ficaria bem, mesmo sabendo que não teria mais a seiva da vida correndo em minhas veias
Se eu tivesse mais um dia, quem sabe seria tempo de tecer um destino diferente
E apertar a tua mão até o último suspiro, assim, tudo ficaria bem

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Placebo


Debruçar-se na janela e ver a vida pelos quadros
Se acomodar aos mesmos sons, sabores e direções
Em cada tela as mesmas imagens pintando a conformidade
Por possibilidades estáticas que envenenam a expansão da existência

No ócio intelectual seduzido por direções que se perdem
As mentes envelhecem, se dissolvem ao pó da terra onde nada mais brotará
Se extingue o bem que não se percebe, o tempo que transcorre silenciosamente
Autêntico, crava a dor mesmo sendo incorporal

E cala a essência humana, cerra os olhos da vida que se passou
Escassa de virtudes que teriam o poder de dotar o próprio destino
E não resistir mais às pulsões que conduzem aos mais belos sonhos
Ao transformar-se é o senhor de tuas necessidades 

Na totalidade de sensações à correr pela alma
Que incendeiam  horizontes aprisionantes 
Levando à permanente reconstrução da pura liberdade de re significar os desejos 
Cada qual com sua intensidade, sem nome, cor, causa ou bandeira


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Dos laços eternos


Correr loucamente pelos dias
Dominado pela liberdade que comanda minha existência
Ausente de métodos
Governado por sons e sabores

Portadores de meu afeto
Afogando as angústias num cálice de sorrisos
Alucinadamente
Movido pelo desencadear de permissões

Na vida que se apresenta puramente possível
E o significado se faz perante aos olhos
São mentes que se perdem no aroma dos desejos
Queimam-se os padrões e conceitos no ardor das paixões

O rumo está na presença
Incomparável
Nos momentos em que o tempo não impera
E tudo o que importa é somente o instante

Onde as almas transcendem os sentidos
E caminham sem anseios
Repousando na pura essência do que é a vida
Em corações que brindam a união dos corpos

Que se envolvem na pureza de existir sem destino
E os olhares dançam refletindo uns aos outros
No encanto da cumplicidade
Emerge o tom do mais belo abrigo