O Blog Além dos Olhos foi criado dia 18 de Março de 2012. Seu principal objetivo é descrever situações do cotidiano que algumas vezes passam despercebidas à olhares superficiais, tanto para quem escreve, como para quem lê. Ao entrar aqui, dará vazão à busca pelo entendimento sem se preocupar se irá encontrá-lo ou não. Cada linha rege a harmonia da dança dos nosso dias.
E que não se prenda em seus conceitos para que seja meu leitor, pois aqui não há uma verdade absoluta, encontre o seu sentido parafraseando significados que nascem no seu interior. Reflita, questione, refute, pense além!
Boa Leitura.

sábado, 20 de julho de 2013

Pretensão à Psicanálise


O desejo é o desejo do outro e a psicanálise rompe com o habitual, se aventurando em suas tentativas de desvelar o que é reprimido pelo ser desejante. Pois todos somos sujeitos da falta e negamos boa parte dessa ausência que se faz tão presente. Ninguém escapa da condição sedutora dos cuidados maternos, do ser que alimenta, aconchega e dá prazer à seu objeto de plenitude sexual. E no movimento gradativo da castração a majestade perde o trono, dissolvendo-se o desejo e potencializando a rivalidade, a percepção se alterna, os conflitos se fazem presentes e as pulsões tomam novos sentidos. Guiando o inconsciente, Narciso caminha na busca de novos objetos que satisfaçam o desejo deste saber não sabido, que por sua vez, advém do objeto inicial, onde havia a plenitude.

Inúmeras direções à perverter uma existência não tão própria quanto se pensava, e assim, pode-se transpor a barreira imposta pela censura. O desejo toma contato com o fantasma, alvo de sua pulsão, nas lacunas da palavra, que permitem sentido ao absurdo. Na transcrição deste discurso rico, a sobredeterminação empilha as peças que constroem a figura da neurose, que aparece de uma maneira deformada, assim como Narciso aparece no reflexo das águas. E nos apaixonamos pelo ser que representa nós mesmos, que é igual ao ser para quem somos objeto de paixão, somos Eros e somos Tanatos, somos feridas com cicatrizes sempre abertas, e mais que desejo, somos a falta daquilo que nunca tivemos, e talvez nunca tenhamos por completo.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A gente muda o mundo na mudança da mente


Quem planta injustiça, colhe revolução! E Marx estava certo, quando dizia que a revolução é a locomotiva da história, e que linda é essa locomotiva que se espalha pelo Brasil, avante, por passos pacíficos, o povo meteu o pé na porta, deu a cara à tapa, à bala, à bomba e sem levantar bandeira, porque neste momento a bandeira é o próprio povo e a causa, em sua singularidade, é plural! Brecht pulou em meio à multidão, pois naquele momento não havia sequer um analfabeto político. Não mais sorrisos podres e tapinha nas costas!
E pela primeira vez, pude ver que o orgulho em ser brasileiro não estava nem na bola, e nem na bunda, o pão estava amargo e não havia circo, porque os palhaços estavam morrendo de medo enquanto a multidão contagiante, mostrava ao mundo quem são os verdadeiros protagonistas desta história.
Corrupção já virou clichê, mas “o povo acordou” e veio junto, a hora de por um fim a este atentado vivo à humanidade. E com uma população não mais latente, surge o movimento, a co responsabilidade, a fuga da comodidade alienante que tanto cuspiu na nossa cara, a mudança tão necessária para a efetividade do bem comum.

Contra a massa selvagem, a repressão reprime, contra a massa pacífica, a repressão se esquiva. E é só o começo...

domingo, 16 de junho de 2013

Dos belos propósitos




Talvez eu esteja enjaulado por direções que me fogem
Inerte, os olhos de um corpo contrário miram o branco dos horizontes
E entre uma música e outra, entre uma arte e outra, falsamente se adoça a alma
Açoitada pela própria conformidade

E nessa dança fria que se nega a cada instante
As emoções são incapazes de denunciar
O que transcorre nesse corpo que é mais que melancolia
E derrama no desejo que é mais que alusivo

Em ansiedade se desloca o deleite
Resiste, se defende, se alucina e se cobre de saudade
E se sustenta por um amor, que mais que conforta
É mais que carícia e divina pureza

É estado de realização onde se rasga toda a angústia
Necessidade explícita e mais que vital
Espelho regado de plenitude e paixão
É delírio, presente, sincero e total


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Se eu tivesse mais um dia


Se eu tivesse mais um dia tudo seria diferente
Te abraçaria com todas as minhas forças até doer os ombros
Não deixaria escorrer pelo ralo aqueles momentos onde podia sentir-te
Andaria com você pela rua , sem rumo sem medo e sem pressa

Contemplaria o teu sorriso observando com o canto dos olhos
Não teria tantas preocupações, não me corroeria em busca de objetivos
Se eu tivesse mais um dia juro que não passaria longe de você
Te olharia em todos os instantes que me restassem

Confessaria de todas as vezes em que um nó na garganta me impedia de dizer que te amo
Te tocaria sem pudor, te beijaria sem motivo, te amaria com toda intensidade que posso
Estaria  embaixo do céu, colado no teu rosto, e tudo ficaria bem
Choraria nos teus braços e não saberia mais o que era lágrima e o que era chuva

Tudo, seria um só
Eu ficaria bem, mesmo sabendo que não teria mais a seiva da vida correndo em minhas veias
Se eu tivesse mais um dia, quem sabe seria tempo de tecer um destino diferente
E apertar a tua mão até o último suspiro, assim, tudo ficaria bem

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Placebo


Debruçar-se na janela e ver a vida pelos quadros
Se acomodar aos mesmos sons, sabores e direções
Em cada tela as mesmas imagens pintando a conformidade
Por possibilidades estáticas que envenenam a expansão da existência

No ócio intelectual seduzido por direções que se perdem
As mentes envelhecem, se dissolvem ao pó da terra onde nada mais brotará
Se extingue o bem que não se percebe, o tempo que transcorre silenciosamente
Autêntico, crava a dor mesmo sendo incorporal

E cala a essência humana, cerra os olhos da vida que se passou
Escassa de virtudes que teriam o poder de dotar o próprio destino
E não resistir mais às pulsões que conduzem aos mais belos sonhos
Ao transformar-se é o senhor de tuas necessidades 

Na totalidade de sensações à correr pela alma
Que incendeiam  horizontes aprisionantes 
Levando à permanente reconstrução da pura liberdade de re significar os desejos 
Cada qual com sua intensidade, sem nome, cor, causa ou bandeira


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Dos laços eternos


Correr loucamente pelos dias
Dominado pela liberdade que comanda minha existência
Ausente de métodos
Governado por sons e sabores

Portadores de meu afeto
Afogando as angústias num cálice de sorrisos
Alucinadamente
Movido pelo desencadear de permissões

Na vida que se apresenta puramente possível
E o significado se faz perante aos olhos
São mentes que se perdem no aroma dos desejos
Queimam-se os padrões e conceitos no ardor das paixões

O rumo está na presença
Incomparável
Nos momentos em que o tempo não impera
E tudo o que importa é somente o instante

Onde as almas transcendem os sentidos
E caminham sem anseios
Repousando na pura essência do que é a vida
Em corações que brindam a união dos corpos

Que se envolvem na pureza de existir sem destino
E os olhares dançam refletindo uns aos outros
No encanto da cumplicidade
Emerge o tom do mais belo abrigo

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

De última hora


Viver é começar à perceber o que é prioridade
É se entregar aos momentos mais intensos
E se perceber diante das situações
É correr para junto dos novos sorrisos que a vida prepara

É estar, e simplesmente estar
Viver é correr ausente de rumo
Regendo a valsa dos nossos dias
São planos que não deram certo
Frustrações à queimar a face

Que viram reflexão no banco da praça
Na janela do ônibus e na mente de quem reflete
De quem não deixa que o vício da rotina
Se transforme em conformidade

De quem tem em si a tua mais segura morada
Sofre calado e nem se percebe
E o tempo caminha incansavelmente
curador das feridas que causa

Semelhante é a mente que labuta nos mesmos propósitos
E no final tudo o que sobra é o que realmente importa
Os momentos em que nada importava à não ser o instante
Por ele mesmo e por tudo o que se resume a busca pela qual [...]
todo homem passa

Momentos.
Que mesmo quando o coração se fizer estático
Não perderão seu enorme valor
Pois tudo o que é momento se perpetuará no berço da existência

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Horas de veludo



Tu deténs todas minhas ações
Todo meu pensamento se encontra no rumo de sua presença
Abdicaste do paraíso para viver em meu coração
Trouxeste a mim o encanto de seu perfume

Levaste minha menta ao doce desejo
Fizeste meu sorriso declarar-te a teus olhos
Puseste propósito em meus dias
Por poucas palavras ditas entre nós

Há horas em que parece corresponder-me
Horas em que se mostra oculta
Horas em que parece estar indiferente
Mas todas são horas de vastos sorrisos

Horas em que o mundo pára no brilho de um olhar
No desejo cuidadoso da busca pelo toque
No querer que este instante dure para sempre
Que o mundo seja tão sublime como é este momento

Brinda-me com tua existência
És um deleite para minha alma
És soberana em meus pensamentos
Possuíste-me por completo!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

No colo de Sherazade



A nevoa se desfaz diante de meus olhos
Deparo-me cm a realidade
Meu sorriso se esconde num rosto penoso
Meu olhar se perde no firmamento

No alto dos montes me vejo próximo aos céus
De forma leviana encontro-me na teia do abandono
Preces em vão são deferidas em meu nome
Zombo do destino que ceifa minha existência

Mil e uma paixões escorrem de teus lábios
Tuas palavras deslumbram a morte
Agora serva de tua persuasão
Tuas histórias nutrem minha alma

Em teu abrigo a vida se faz eterna
Em tua carícia está a imortalidade
Em tuas noites reina o desejo
Teu silêncio anuncia meu fim

Mesmo quando não estiver




As estrelas me farão ver teus olhos
O pensamento estará em sua existência
O motivo estará na saudade
Buscarei o afeto em tuas lembranças

Nelas repousam belos sorrisos
Mesmo quando não estiver
Permanecerá em meu coração
A razão se encolherá diante do sentimento

A distância irá sorrir ao ver minha dor
Mas aqueles momentos não serão esquecidos
Mesmo quando a vida levar de mim a tua presença
Deixará em mim tua lembrança

Que tempos aqueles!
Aparentemente comuns
Tempos que agora possuem grande valor
Pois neles, a vida ainda não havia te levado de mim