O Blog Além dos Olhos foi criado dia 18 de Março de 2012. Seu principal objetivo é descrever situações do cotidiano que algumas vezes passam despercebidas à olhares superficiais, tanto para quem escreve, como para quem lê. Ao entrar aqui, dará vazão à busca pelo entendimento sem se preocupar se irá encontrá-lo ou não. Cada linha rege a harmonia da dança dos nosso dias.
E que não se prenda em seus conceitos para que seja meu leitor, pois aqui não há uma verdade absoluta, encontre o seu sentido parafraseando significados que nascem no seu interior. Reflita, questione, refute, pense além!
Boa Leitura.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Placebo


Debruçar-se na janela e ver a vida pelos quadros
Se acomodar aos mesmos sons, sabores e direções
Em cada tela as mesmas imagens pintando a conformidade
Por possibilidades estáticas que envenenam a expansão da existência

No ócio intelectual seduzido por direções que se perdem
As mentes envelhecem, se dissolvem ao pó da terra onde nada mais brotará
Se extingue o bem que não se percebe, o tempo que transcorre silenciosamente
Autêntico, crava a dor mesmo sendo incorporal

E cala a essência humana, cerra os olhos da vida que se passou
Escassa de virtudes que teriam o poder de dotar o próprio destino
E não resistir mais às pulsões que conduzem aos mais belos sonhos
Ao transformar-se é o senhor de tuas necessidades 

Na totalidade de sensações à correr pela alma
Que incendeiam  horizontes aprisionantes 
Levando à permanente reconstrução da pura liberdade de re significar os desejos 
Cada qual com sua intensidade, sem nome, cor, causa ou bandeira


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Dos laços eternos


Correr loucamente pelos dias
Dominado pela liberdade que comanda minha existência
Ausente de métodos
Governado por sons e sabores

Portadores de meu afeto
Afogando as angústias num cálice de sorrisos
Alucinadamente
Movido pelo desencadear de permissões

Na vida que se apresenta puramente possível
E o significado se faz perante aos olhos
São mentes que se perdem no aroma dos desejos
Queimam-se os padrões e conceitos no ardor das paixões

O rumo está na presença
Incomparável
Nos momentos em que o tempo não impera
E tudo o que importa é somente o instante

Onde as almas transcendem os sentidos
E caminham sem anseios
Repousando na pura essência do que é a vida
Em corações que brindam a união dos corpos

Que se envolvem na pureza de existir sem destino
E os olhares dançam refletindo uns aos outros
No encanto da cumplicidade
Emerge o tom do mais belo abrigo

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

De última hora


Viver é começar à perceber o que é prioridade
É se entregar aos momentos mais intensos
E se perceber diante das situações
É correr para junto dos novos sorrisos que a vida prepara

É estar, e simplesmente estar
Viver é correr ausente de rumo
Regendo a valsa dos nossos dias
São planos que não deram certo
Frustrações à queimar a face

Que viram reflexão no banco da praça
Na janela do ônibus e na mente de quem reflete
De quem não deixa que o vício da rotina
Se transforme em conformidade

De quem tem em si a tua mais segura morada
Sofre calado e nem se percebe
E o tempo caminha incansavelmente
curador das feridas que causa

Semelhante é a mente que labuta nos mesmos propósitos
E no final tudo o que sobra é o que realmente importa
Os momentos em que nada importava à não ser o instante
Por ele mesmo e por tudo o que se resume a busca pela qual [...]
todo homem passa

Momentos.
Que mesmo quando o coração se fizer estático
Não perderão seu enorme valor
Pois tudo o que é momento se perpetuará no berço da existência

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Horas de veludo



Tu deténs todas minhas ações
Todo meu pensamento se encontra no rumo de sua presença
Abdicaste do paraíso para viver em meu coração
Trouxeste a mim o encanto de seu perfume

Levaste minha menta ao doce desejo
Fizeste meu sorriso declarar-te a teus olhos
Puseste propósito em meus dias
Por poucas palavras ditas entre nós

Há horas em que parece corresponder-me
Horas em que se mostra oculta
Horas em que parece estar indiferente
Mas todas são horas de vastos sorrisos

Horas em que o mundo pára no brilho de um olhar
No desejo cuidadoso da busca pelo toque
No querer que este instante dure para sempre
Que o mundo seja tão sublime como é este momento

Brinda-me com tua existência
És um deleite para minha alma
És soberana em meus pensamentos
Possuíste-me por completo!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

No colo de Sherazade



A nevoa se desfaz diante de meus olhos
Deparo-me cm a realidade
Meu sorriso se esconde num rosto penoso
Meu olhar se perde no firmamento

No alto dos montes me vejo próximo aos céus
De forma leviana encontro-me na teia do abandono
Preces em vão são deferidas em meu nome
Zombo do destino que ceifa minha existência

Mil e uma paixões escorrem de teus lábios
Tuas palavras deslumbram a morte
Agora serva de tua persuasão
Tuas histórias nutrem minha alma

Em teu abrigo a vida se faz eterna
Em tua carícia está a imortalidade
Em tuas noites reina o desejo
Teu silêncio anuncia meu fim

Mesmo quando não estiver




As estrelas me farão ver teus olhos
O pensamento estará em sua existência
O motivo estará na saudade
Buscarei o afeto em tuas lembranças

Nelas repousam belos sorrisos
Mesmo quando não estiver
Permanecerá em meu coração
A razão se encolherá diante do sentimento

A distância irá sorrir ao ver minha dor
Mas aqueles momentos não serão esquecidos
Mesmo quando a vida levar de mim a tua presença
Deixará em mim tua lembrança

Que tempos aqueles!
Aparentemente comuns
Tempos que agora possuem grande valor
Pois neles, a vida ainda não havia te levado de mim


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Do fluxo eterno de todas as coisas



Caindo em meio aos dias as sombras chamam
O Paraíso que acolhe no alto da montanha
No descer das águas que escorrem
É vida que se renova, que vai e que vem

É homem que é parte de tudo
E parte a cada segundo, banhado no devir
Como a água que desce de cima da pedra
Como a chama que queima infinitamente finita

É homem , é fogo é terra e ar
É tudo que se contempla nos olhos da mais pura criança
Que vê seu reflexo, pintado na poça da vida
Enquanto olha, já não é mais o que era

A criança cresceu e se tornou homem
Do mesmo reflexo, da mesma água
Da mesma vida que corre enlouquecida
Por sons, sabores, imagens, anseios...

E enquanto corre vai deixando a vida pelo caminho
E a poça vai secando até restar somente areia
Onde a imagem não mais reflete
E o homem por ser o mesmo, é outro

Talvez se visse, não reconheceria a própria face
Que o tempo moldou com suas garras afiadas
O menino agora, é senhor de sua era
Os olhos que antes brilhavam estão ofuscados
Pelo desfecho da existência, as pálpebras se deitam
E o menino, agora é ar, terra, fogo e alma. Tudo o que sempre foi

terça-feira, 26 de junho de 2012

Do tempo e dos tempos



E o tempo brinca comigo sempre
Estático, corre numa direção sem volta
E venda meus olhos quando se move
Se move? Acho que sim


Que se vá o tempo e sua frieza!
Que está em mim e não se mostra
Molda minhas ações, pensamentos
me faz refém de mim mesmo


Orquestra minha vida em silêncio
Insipido, caçoa de minha fome pela verdade
Responsável por expectativas, anseios, frustrações, arrependimentos
O berço da loucura é o tempo


Que me arrasta, me abraça e me escarra
Somando meu passado e devorando meu futuro
A maior distância entre a alma e o entendimento
Em caminhos que se cruzam perdidos na mesma estrada

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Quando vem o devido valor


Dar valor ao que é bom nessa vida
A busca existe mas não é simples como parece
Quando se descobre que o tempo passa o susto é grande
Novas faces, novas histórias e tudo o que você quer é o passado


Onde o que você queria é o hoje
Seria ingratidão?
Pelo que tinha e não deu o valor que vem hoje
E por não dar valor no que quis tanto ter


E hoje tem
Talvez por as expectativas não corresponderem
E pelo passado que é belo hoje, não existir quando era presente
Mas a busca permanece, sem nome, sem causa ou bandeira


Órfão de métodos e vertentes, sem verdades
Colhendo experiências, sons e sabores
Na dança dos dias
O querer transcende a razão

Que não se torne comum



Sem saber a direção a ser tomada
Sem saber do que deriva a angústia
São apenas horizontes que se escondem
E a culpa se torna refém de si mesma


Sonhos que se esfarelam em incertezas
Caminhos tortuosos, sem partida e sem destino
E o tempo ferve sempre, e sempre
Nos passos que fogem da direção, nos olhos que se fazem cegos


Onde o temor sempre está por perto
Não se mostra, apenas se faz
Num sopro gelado aos ouvidos
No saber ou não saber se encontro o que procuro


Muitos são os sentidos que não conduzem a sentido algum
A força do desejo segue, turva e sem razão
Só mais um dia replicando o outro
Sentado na varanda admirando um horizonte fechado