O Blog Além dos Olhos foi criado dia 18 de Março de 2012. Seu principal objetivo é descrever situações do cotidiano que algumas vezes passam despercebidas à olhares superficiais, tanto para quem escreve, como para quem lê. Ao entrar aqui, dará vazão à busca pelo entendimento sem se preocupar se irá encontrá-lo ou não. Cada linha rege a harmonia da dança dos nosso dias.
E que não se prenda em seus conceitos para que seja meu leitor, pois aqui não há uma verdade absoluta, encontre o seu sentido parafraseando significados que nascem no seu interior. Reflita, questione, refute, pense além!
Boa Leitura.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Horas de veludo



Tu deténs todas minhas ações
Todo meu pensamento se encontra no rumo de sua presença
Abdicaste do paraíso para viver em meu coração
Trouxeste a mim o encanto de seu perfume

Levaste minha menta ao doce desejo
Fizeste meu sorriso declarar-te a teus olhos
Puseste propósito em meus dias
Por poucas palavras ditas entre nós

Há horas em que parece corresponder-me
Horas em que se mostra oculta
Horas em que parece estar indiferente
Mas todas são horas de vastos sorrisos

Horas em que o mundo pára no brilho de um olhar
No desejo cuidadoso da busca pelo toque
No querer que este instante dure para sempre
Que o mundo seja tão sublime como é este momento

Brinda-me com tua existência
És um deleite para minha alma
És soberana em meus pensamentos
Possuíste-me por completo!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

No colo de Sherazade



A nevoa se desfaz diante de meus olhos
Deparo-me cm a realidade
Meu sorriso se esconde num rosto penoso
Meu olhar se perde no firmamento

No alto dos montes me vejo próximo aos céus
De forma leviana encontro-me na teia do abandono
Preces em vão são deferidas em meu nome
Zombo do destino que ceifa minha existência

Mil e uma paixões escorrem de teus lábios
Tuas palavras deslumbram a morte
Agora serva de tua persuasão
Tuas histórias nutrem minha alma

Em teu abrigo a vida se faz eterna
Em tua carícia está a imortalidade
Em tuas noites reina o desejo
Teu silêncio anuncia meu fim

Mesmo quando não estiver




As estrelas me farão ver teus olhos
O pensamento estará em sua existência
O motivo estará na saudade
Buscarei o afeto em tuas lembranças

Nelas repousam belos sorrisos
Mesmo quando não estiver
Permanecerá em meu coração
A razão se encolherá diante do sentimento

A distância irá sorrir ao ver minha dor
Mas aqueles momentos não serão esquecidos
Mesmo quando a vida levar de mim a tua presença
Deixará em mim tua lembrança

Que tempos aqueles!
Aparentemente comuns
Tempos que agora possuem grande valor
Pois neles, a vida ainda não havia te levado de mim


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Do fluxo eterno de todas as coisas



Caindo em meio aos dias as sombras chamam
O Paraíso que acolhe no alto da montanha
No descer das águas que escorrem
É vida que se renova, que vai e que vem

É homem que é parte de tudo
E parte a cada segundo, banhado no devir
Como a água que desce de cima da pedra
Como a chama que queima infinitamente finita

É homem , é fogo é terra e ar
É tudo que se contempla nos olhos da mais pura criança
Que vê seu reflexo, pintado na poça da vida
Enquanto olha, já não é mais o que era

A criança cresceu e se tornou homem
Do mesmo reflexo, da mesma água
Da mesma vida que corre enlouquecida
Por sons, sabores, imagens, anseios...

E enquanto corre vai deixando a vida pelo caminho
E a poça vai secando até restar somente areia
Onde a imagem não mais reflete
E o homem por ser o mesmo, é outro

Talvez se visse, não reconheceria a própria face
Que o tempo moldou com suas garras afiadas
O menino agora, é senhor de sua era
Os olhos que antes brilhavam estão ofuscados
Pelo desfecho da existência, as pálpebras se deitam
E o menino, agora é ar, terra, fogo e alma. Tudo o que sempre foi

terça-feira, 26 de junho de 2012

Do tempo e dos tempos



E o tempo brinca comigo sempre
Estático, corre numa direção sem volta
E venda meus olhos quando se move
Se move? Acho que sim


Que se vá o tempo e sua frieza!
Que está em mim e não se mostra
Molda minhas ações, pensamentos
me faz refém de mim mesmo


Orquestra minha vida em silêncio
Insipido, caçoa de minha fome pela verdade
Responsável por expectativas, anseios, frustrações, arrependimentos
O berço da loucura é o tempo


Que me arrasta, me abraça e me escarra
Somando meu passado e devorando meu futuro
A maior distância entre a alma e o entendimento
Em caminhos que se cruzam perdidos na mesma estrada

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Quando vem o devido valor


Dar valor ao que é bom nessa vida
A busca existe mas não é simples como parece
Quando se descobre que o tempo passa o susto é grande
Novas faces, novas histórias e tudo o que você quer é o passado


Onde o que você queria é o hoje
Seria ingratidão?
Pelo que tinha e não deu o valor que vem hoje
E por não dar valor no que quis tanto ter


E hoje tem
Talvez por as expectativas não corresponderem
E pelo passado que é belo hoje, não existir quando era presente
Mas a busca permanece, sem nome, sem causa ou bandeira


Órfão de métodos e vertentes, sem verdades
Colhendo experiências, sons e sabores
Na dança dos dias
O querer transcende a razão

Que não se torne comum



Sem saber a direção a ser tomada
Sem saber do que deriva a angústia
São apenas horizontes que se escondem
E a culpa se torna refém de si mesma


Sonhos que se esfarelam em incertezas
Caminhos tortuosos, sem partida e sem destino
E o tempo ferve sempre, e sempre
Nos passos que fogem da direção, nos olhos que se fazem cegos


Onde o temor sempre está por perto
Não se mostra, apenas se faz
Num sopro gelado aos ouvidos
No saber ou não saber se encontro o que procuro


Muitos são os sentidos que não conduzem a sentido algum
A força do desejo segue, turva e sem razão
Só mais um dia replicando o outro
Sentado na varanda admirando um horizonte fechado

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Ode à liberdade


Vai, e não preocupas se irá frustrar-se por ir
Derruba todos os muros que estiverem no teu caminho
E cala o medo que cresce frio no teu íntimo
Rasga todas as bandeiras que querem governar tuas ambições


Domina as pedras que se apresentam no teu caminho
Perpetua na tua finitude, razão pra real independência
Corre insano, demasiado, desesperado, solto pelo mundo
Brinda tua existência a cada pôr do Sol


Beba de variadas fontes, erre os caminhos, risque as direções
Projeta na tua alma, poder por ser o que realmente é
Encendeie traumas que querem te possuir
Faça sua revolução!


Cante tua vitória sobre as ruínas da opressão
E desdenhe os horizontes que te zombam
A liberdade é a tua morada
E nela tu te farás eterno

terça-feira, 15 de maio de 2012

Do eu existencial


                                                                                          foto: Guilherme Moura


A auto descrição é sempre algo extremamente complicado. Talvez por ser capaz de unir tantos aspectos, tantas palavras a serem ditas que quando juntas, muitas vezes transformam-se em nada. Nada? Mas como assim?
O nada pode nos dizer muita coisa sobre quem e o que somos. Somos?

Um emaranhado de situações formam nosso ser, o despertar de sentimentos latentes vai fazendo com que saibamos algo sobre nós mesmos. Bem aventuradas são as respostas ausentes, responsáveis por nosso eterno questionamento, que por sua vez, nos move, nos guia por caminhos tortuosos e sedentos de destino.
Eu sou. Sedento de destino, apaixonado por todas as emoções capazes de fazer meu coração eclodir, seja num abraço, num olhar ou até mesmo em pensamento. É   isso o que nos faz, mesmo sem sabermos de onde e para onde iremos, somos.
Seremos até mesmo no dia em que emoções se encontrarem em repouso e o coração estático, seremos pois estaremos nas memórias que deixamos no passar de nossa existência.
Minha ausência será sentida pela saudade ou pelo alívio, depende de como e quando você me vê.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

De tudo que é



E tudo se assemelha num fluxo constante
A distância não se  difere da proximidade
Mundos entrelaçados por fios de seda
Num conflito eterno a vida tenta ser


E é por não ser, e não é por não ser
Luta para relembrar o que era enquanto ideia
E os dias correm sendo um só
O tempo se arrasta a esmo


Figuras temporais ditam realidades perecíveis 
E o ciclo transcende as eras
Os mesmos herois, pelas mesmas causas
Com os mesmos fins


O homem emerge da alma querendo saber o que é
E mal sabe que como tudo, é o mesmo que tudo
Busca sabendo o que já sabe e nunca irá saber
Corre demasiadamente, vendado por sua própria existência